LARGAR O EMPREGO PARA EMPREENDER (O que eu queria saber antes de sair do CLT)
Se você está pensando em pedir demissão para empreender, talvez esse seja um dos conteúdos mais importantes que vai ver antes de tomar essa decisão.
Não porque eu vou dizer se você deve sair do emprego ou continuar nele. Essa decisão continua sendo sua.
Mas, quero apenas mostrar o que eu gostaria de ter entendido antes de empreender, de verdade.
Porque boa parte do que torna esse começo tão difícil não é falta de capacidade, e sim expectativa errada.
Tem muito conteúdo prometendo liberdade, dinheiro rápido e autonomia. Eu prefiro mostrar o outro lado. Não para desanimar você, mas para que a realidade não seja um choque quando ela chegar.
E que foi exatamente isso que faltou para mim antes de ter pedido demissão.
1º PONTO:
Uma pergunta que eu deveria ter feito antes de pedir demissão era: por que eu realmente queria pedir demissão para empreender?
Parece uma pergunta simples, mas muda muita coisa.
Se a resposta é só fugir do emprego ou ganhar mais dinheiro, qualquer dificuldade do começo faz você questionar a decisão.
O dinheiro é importante, claro. Mas, ele dificilmente sustenta alguém nos meses em que o negócio ainda não responde ou funciona direito.
Ao longo da minha jornada empreendedora, descobri que eu precisava de um motivo maior para continuar persistindo quando as coisas não saíam como eu imaginava.
Então, repasso essa pergunta para você: por que quer sair do seu trabalho? Se a resposta for só “cansei do meu ou minha chefe” ou “quero ganhar mais”, vale desconfiar.
Porque:
Se o único motivo para abrir uma empresa é fugir do emprego, você provavelmente vai criar outro problema em vez de resolver o primeiro.
Além disso, o negócio precisa fazer sentido mesmo quando o dinheiro demora a aparecer.
Porque dinheiro sozinho não sustenta a jornada empreendedora no dia a dia — vai ter mês ruim, cliente difícil, imprevisto que consome o fim de semana, entre tantas outras questões delicadas.
Então, se o único motivo pra estar ali é o retorno financeiro, esse motivo racha fácil quando o retorno demora a aparecer.
Logo, o propósito de quem empreende precisa estar alinhado com o propósito do próprio negócio — o problema que ele resolve, o motivo de existir — não só com o quanto ele promete pagar.
Tenha em mente que negócio que nasce de fuga ou de ambição pura costuma perder direção nos momentos difíceis. E negócio com um porquê mais sólido aguenta melhor esses momentos.
2º PONTO:
Outra coisa que eu só entendi depois: empreender parece impossível quando você nunca fez. Depois você percebe que o problema nunca foi a dificuldade. Era simplesmente não conhecer o processo.
Formalizar, precificar, vender, se organizar financeiramente, tudo isso parece complexo demais quando você nunca fez.
Mas, complexo não é o mesmo que impossível — é um caminho que se aprende passo a passo, na ordem certa.
A frustração de quem desiste no meio do caminho raramente vem do negócio em si; vem de achar que devia ser mais fácil do que é, e aí qualquer dificuldade normal parece prova de que algo está errado.
3º PONTO:
Cuidado com a questão do dinheiro — e é aqui que a conta não fecha do jeito que a gente espera.
Todo mundo fala em “ter uma reserva financeira”. Certo, mas isso é vago demais pra ser útil.
A pergunta real não é “quanto eu tenho guardado”, é “quanto tempo eu aguento sem salário fixo, pagando minhas contas e ainda investindo no negócio ao mesmo tempo”.
Não é só sobreviver — é sobreviver enquanto ainda sobra dinheiro pra manter o negócio funcionando, corrigir o que dá errado e tomar decisão com cabeça fria, não pressionado pelas contas a pagar do mês.
Eu subestimei esse tempo. Achei que em três, quatro meses já teria alguma entrada estável. Levou mais que o dobro disso. E nesse meio tempo, cada conta que vencia era uma pequena crise.
Isso não é fracasso — é o tempo real que qualquer negócio leva pra engrenar, só que quase ninguém admite esse prazo em voz alta, porque não é bonito de assumir.
O exercício mais útil antes de dar o passo é simular seis meses sem entrada nenhuma: some suas contas fixas — aluguel, mercado, transporte, por exemplo — por esse período, e depois some o que o negócio vai precisar pra funcionar no mesmo tempo, mesmo sem vender quase nada.
Se esse valor te assusta, ainda não é a hora de sair — é a hora de testar por fora, ainda empregado(a), até ter um colchão real.
Porque quando o dinheiro aperta, você começa a aceitar cliente ruim, baixar preço que não devia, fechar negócio que não faz sentido, só pela entrada daquele mês, por exemplo.
Isso não é estratégia, é desespero disfarçado de decisão — e desespero, no início do negócio, custa muito mais caro do que parece.
4º PONTO:
Outra coisa é sobre tempo — e essa foi a que mais me pegou de surpresa.
Se você está saindo do emprego porque quer trabalhar menos, provavelmente está saindo pelo motivo errado.
Existe uma ideia romântica de que quem tem negócio próprio ganha liberdade — decide o próprio horário, trabalha quando quiser, tem mais tempo pra vida.
Na prática, principalmente no começo, é o oposto: você trabalha mais horas, não menos.
A diferença é que agora ninguém mais define essas horas por você — você define, e frequentemente define errado, porque tudo depende de você.
Não existe fim de expediente quando o negócio é seu e ainda está pequeno.
Você não desliga às seis, porque o cliente manda mensagem às nove da noite e você responde, porque ainda não tem estrutura pra não responder.
A liberdade que existe não é só liberdade de tempo — é liberdade de escolha sobre o que fazer com o seu esforço. São coisas bem diferentes, e não confundir uma com a outra evita uma frustração e tanto lá na frente.
Isso também mexe com a solidão da decisão. Como empregado(a), sempre tem alguém acima decidindo junto, ou pelo menos aprovando.
Com negócio próprio, toda escolha passa por você — o fornecedor errado, o preço mal calculado, o cliente que não paga.
Ou seja, não tem “meu chefe decidiu assim”. Foi você. E isso pesa mais no início do que qualquer parte prática do negócio, porque é um peso que ninguém mostra de fora.
E é por causa dessa solidão que vale um cuidado…
Nessa fase, é comum buscar só quem concorda com a decisão — alguém animando, posts ou vídeos motivacionais, gente que também quer empreender, enfim.
Isso até pode ajudar o ego, mas ajuda pouco a decisão.
Vale mais ouvir também quem discorda, quem já tentou e não deu certo, quem faz a pergunta incômoda que você está evitando.
Não pra desistir por causa disso, mas porque uma opinião contrária bem colocada ou confirma que sua decisão está sólida, ou te mostra um ponto cego antes que ele vire prejuízo.
Percebi, com o tempo, que quase todas essas frustrações tinham a mesma origem: expectativa mal calibrada sobre o que é empreender de verdade.
Foi por isso que resolvi reunir essas ideias com mais profundidade no ebook Empreendedorismo Sem Mitos — as ilusões mais comuns de quem está decidindo empreender, e o que realmente acontece em cada uma delas.
Deixei o link aqui na imagem abaixo pra quem quiser se preparar antes de dar esse passo, combinado?
5º PONTO:
Outra coisa é sobre formalizar o negócio. Abrir CNPJ cedo demais pode ser tão ruim quanto abrir tarde demais.
Muita gente formaliza no primeiro dia, antes de saber se a ideia funciona, e paga taxas por um negócio que ainda nem provou nada.
Outra parte comete o erro contrário: opera no informal por meses achando que “depois formaliza”. E perde tempo, crédito e credibilidade — sem emitir nota, sem conta PJ (Pessoa Jurídica), sem negociar com fornecedor maior.
O ponto de equilíbrio é testar a ideia informalmente enquanto ainda está empregado(a), validar se existe demanda de verdade, e formalizar quando o negócio começa a gerar movimento real.
Não antes, por ansiedade. Nem depois, por procrastinação.
Empreender e decidir a estrutura formal do negócio são decisões diferentes, mesmo que a gente costume tratar como uma só.
6º PONTO:
Mas, se eu pudesse voltar no tempo, ainda largaria o emprego para empreender.
A diferença é que faria isso com um plano mais realista e, principalmente, com as expectativas mais alinhadas.
Com uma reserva financeira maior, calculada pelo pior cenário e não pelo otimista que a gente sempre monta na cabeça.
E com a mentalidade de que eu trabalharia mais no início, não menos.
Só que isso não teria tornado o caminho mais curto. Só teria evitado boa parte dos erros que eu mesmo criei por não entender como o começo de um negócio realmente funciona.
Hoje eu percebo que abrir uma empresa sempre cobra algum preço. Você vai errar, perder dinheiro em algumas decisões e aprender muita coisa da forma mais cara possível: fazendo. Isso faz parte de praticamente qualquer negócio.
O erro é imaginar que existe uma forma de evitar esse custo esperando mais um pouco. Na maioria das vezes, o que acontece é o contrário: você adia a decisão esperando o momento perfeito, e ele nunca chega.
Quando percebe, passou mais um ano, depois outro, e você continua no mesmo lugar, só que com mais dúvidas do que antes.
Então, para largar o emprego e empreender…
No fim, a escolha nunca foi entre enfrentar dificuldades ou não. Foi entre aprender construindo alguma coisa ou continuar adiando esse aprendizado.
E se você já decidiu que quer sair, só está juntando clareza pra dar o passo, esse é o convite: entenda que negócio não é fórmula pronta, é processo — complexo, mas não impossível.
Por isso, vou lembrar mais uma vez que esse é objetivo do ebook Empreendedorismo Sem Mitos.
Porque percebi que muita gente começa um negócio preparada para trabalhar, mas não para a realidade que encontra nos primeiros meses. Tudo para ajudar a evitar os erros que eu mesmo cometi.
Se ele conseguir evitar alguns erros que normalmente custam meses — às vezes anos — de aprendizado caro, então já terá valido a pena.
Se você quiser se aprofundar antes de tomar essa decisão de sair do seu emprego para montar seu próprio negócio, o Empreendedorismo Sem Mitos está linkado aqui embaixo.
Esperamos que tenha gostado! E se quiser saber mais sobre como montar e gerenciar seu próprio negócio, acesse nosso canal no Youtube que temos vários vídeos sobre este assunto, tudo bem? Para acessá-lo, é só clicar aqui.
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Um abraço!
Marcus,
Blog Abri Minha Empresa

