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Como Preparar as Finanças da Empresa para O Próximo Ano

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Como preparar as finanças da empresa para o próximo ano?

Planejar as finanças da empresa para o próximo ano exige mais do que estabelecer uma meta de faturamento.

É preciso entender a capacidade financeira do negócio, antecipar as necessidades de caixa e definir como os recursos serão utilizados ao longo dos meses.

E o ponto de partida é o histórico da empresa. A partir dele, você consegue projetar o fluxo de caixa, dimensionar a reserva financeira e estabelecer metas compatíveis com a realidade do negócio.

O objetivo não é prever exatamente o que vai acontecer, mas reduzir a incerteza e criar condições para tomar decisões com antecedência, sem depender apenas do saldo disponível na conta bancária.

Tudo de forma organizada, planejada e estratégica. Que é o que vou mostrar agora.

  1. Vender não significa ter dinheiro disponível.

O dinheiro das vendas que a empresa realiza nem sempre está disponível na conta no mesmo momento.

Dependendo das condições de pagamento, o recebimento pode acontecer dias ou meses depois, enquanto as despesas continuam vencendo. Como vendas no crédito, parceladas ou em boletos, por exemplo.

Por isso, ao organizar as finanças para o próximo ano, é importante considerar não apenas quanto a empresa espera vender, mas também quando receberá esse dinheiro e quando precisará pagar suas contas.

Essa diferença ajuda a explicar por que uma empresa pode vender bem e, mesmo assim, enfrentar dificuldades financeiras.

O problema nem sempre está na quantidade de vendas, mas na diferença entre o momento em que o dinheiro entra e aquele em que precisa sair.

Assim, ao planejar o próximo ano, essa relação deve orientar as decisões financeiras. A empresa precisa ter recursos disponíveis para funcionar, e não apenas boas perspectivas de vendas.

  1. Comece pelos resultados dos últimos meses.

Antes de fazer previsões para o próximo ano, analise como a empresa se comportou financeiramente.

Desse modo, reúna os registros de entradas e pagamentos e organize as informações por mês. Não é necessário começar com uma ferramenta sofisticada: uma planilha simples já ajuda a enxergar o comportamento do negócio.

Além disso, observe os períodos em que houve maior disponibilidade de dinheiro e aqueles em que as contas ficaram mais difíceis de pagar.

Essa análise permite identificar padrões e entender se as dificuldades foram pontuais ou se fazem parte da maneira como a empresa funciona.

Ainda, considere também as despesas que aparecem apenas em determinados momentos do ano.

Mesmo que não sejam pagas mensalmente, elas precisam entrar no planejamento, porque continuam sendo compromissos conhecidos.

Se a empresa ainda não tem um ano completo de atividade, use os dados disponíveis e faça estimativas prudentes para os meses que ainda não conhece.

O objetivo não é repetir o que aconteceu, mas usar a experiência acumulada para tomar decisões melhores. Porque quando você entende o próprio histórico, consegue planejar com mais critério e depender menos de suposições.

  1. Organize as entradas e saídas do próximo ano.

Com o histórico em mãos, monte uma previsão financeira para os próximos 12 meses.

Registre quanto dinheiro a empresa espera receber em cada mês e quais pagamentos precisará fazer no mesmo período.

Essa previsão é o que se chama de fluxo de caixa: um acompanhamento do dinheiro que entra e sai da empresa. Ele ajuda a visualizar se haverá recursos suficientes para pagar as contas e manter a operação funcionando.

Então, use estimativas compatíveis com a realidade do negócio, considerando as mudanças que já são conhecidas.

Evite projetar o ano inteiro com base no melhor resultado que a empresa já alcançou.

A remuneração do proprietário(a) também deve entrar na projeção financeira. Definir um valor mensal compatível com a realidade da empresa ajuda a calcular o custo de manter a operação e a avaliar quanto o negócio precisa gerar para se sustentar e produzir o resultado esperado.

Além disso, é importante manter o dinheiro pessoal separado do dinheiro do negócio. Quando as contas se misturam, fica mais difícil acompanhar os resultados e saber quanto a empresa realmente tem disponível.

Depois de organizar as entradas e saídas, observe como o dinheiro disponível evolui de um mês para o outro.

Porque é possível que a empresa tenha recursos suficientes em determinado período e enfrente uma falta de dinheiro mais adiante.

Então, identificar essa diferença com antecedência é uma das principais vantagens do planejamento.

E se a previsão mostrar que faltará dinheiro, ainda haverá tempo para rever gastos, negociar condições de pagamento ou ajustar as decisões comerciais.

Ou seja, esperar o saldo da conta ficar insuficiente reduz as alternativas e pode obrigar a empresa a recorrer a crédito em condições desfavoráveis.

  1. Quanto dinheiro a empresa precisa guardar?

A previsão financeira também ajuda a calcular quanto dinheiro a empresa precisa manter disponível para atravessar os períodos mais apertados.

Não existe um valor que sirva para todos os negócios.

Uma empresa que recebe de forma previsível tem necessidades diferentes de outra que depende de vendas muito variáveis ou precisa pagar suas despesas antes de receber dos clientes.

Por isso, a reserva financeira deve ser calculada de acordo com a situação financeira da empresa e com os riscos que ela enfrenta.

Recomendações genéricas, como guardar o equivalente a três ou seis meses de despesas, podem servir como referência inicial, mas não substituem essa análise.

Se a previsão indicar que faltará dinheiro em algum período, procure entender a dimensão dessa necessidade e o que está provocando o problema.

Talvez seja necessário guardar mais recursos, mas também pode haver condições de melhorar os prazos de recebimento, rever despesas ou ajustar a forma como as compras são planejadas.

Essa distinção é importante: a reserva protege a empresa contra dificuldades, mas não substitui uma operação financeiramente sustentável.

Nos períodos em que houver mais dinheiro disponível, separe uma parte para formar ou recompor a reserva.

Assim, mantenha esses recursos separados do dinheiro usado nas despesas do dia a dia e em uma opção de baixo risco, com possibilidade de resgate quando necessário.

  1. Revise os gastos antes de definir as metas

Com uma visão mais clara das necessidades financeiras, revise os gastos previstos para o próximo ano.

Considere os reajustes que podem ocorrer e avalie quais despesas podem ser reduzidas sem prejudicar o funcionamento da empresa.

Essa etapa não se resume a cortar custos. O importante é entender se o dinheiro está sendo usado de maneira coerente com os resultados que o negócio consegue gerar.

Depois, estabeleça uma meta de vendas que considere tanto os gastos quanto o resultado financeiro que você deseja alcançar.

Para fazer essa conta, é necessário entender a margem de contribuição, que é a parte do valor das vendas que sobra depois de descontados os custos diretamente ligados a elas, como mercadorias, comissões e taxas de venda.

É esse valor que ajuda a pagar as despesas fixas e, depois, gerar lucro.

Por exemplo:

Nesse caso, o faturamento mensal necessário será:

(R$ 4.000 + R$ 2.000) ÷ 0,50 (que é o 50%)= R$ 12.000.

Esse cálculo indica quanto a empresa precisaria vender para atingir o resultado desejado, considerando essas premissas.

Ele não garante que a meta será alcançada nem substitui a análise do dinheiro que efetivamente estará disponível em cada período.

Se o valor necessário estiver muito acima do que a empresa costuma vender, é importante avaliar se a meta é viável.

A solução pode envolver mudanças nos preços, nos custos ou na forma de operar, em vez de simplesmente exigir um aumento nas vendas.

Desse modo, o planejamento financeiro serve justamente para colocar essas decisões em perspectiva antes de assumir novos compromissos.

CONSIDERE FATORES ECONÔMICOS TAMBÉM

Ao mesmo tempo, além dos custos da própria empresa, vale acompanhar fatores econômicos como a inflação e as taxas de juros.

Que de forma bem resumida:

Esses fatores podem mudar os custos da empresa e o preço do crédito ao longo do ano.

Por isso, considere seus possíveis efeitos ao revisar as despesas e definir as metas financeiras para o próximo período.

Essas mudanças precisam ser consideradas nas projeções do próximo ano, principalmente quando podem afetar as despesas, a necessidade de crédito ou a margem de lucro do negócio.

Tenha em mente que definir metas financeiras também exige expectativas realistas sobre o que significa empreender.

Ideias simplificadas sobre abrir e administrar uma empresa podem levar a decisões precipitadas, como projetar vendas acima da capacidade do negócio ou subestimar os custos para mantê-lo funcionando.

Para ampliar essa reflexão, o e-book Empreendedorismo Sem Mitos aborda os desafios e as decisões que fazem parte da realidade de quem empreende.

É uma leitura complementar para reconhecer armadilhas comuns, questionar ideias equivocadas e construir uma visão mais consciente do negócio.

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  1. Acompanhe os resultados ao longo do ano

O planejamento não termina quando a planilha fica pronta.

Ao longo do ano, compare o que foi previsto com o que realmente aconteceu e atualize as projeções quando houver mudanças relevantes.

Essa revisão ajuda a perceber desvios com antecedência e a adaptar as decisões à realidade do negócio. Afinal, uma previsão baseada em informações que já mudaram deixa de ser útil.

Não é necessário acertar todos os números. O importante é acompanhar a situação financeira com regularidade e usar as informações para decidir com mais segurança.

Por isso…

Com tudo isso dito, preparar as finanças para o próximo ano é, acima de tudo, entender as condições reais da empresa e agir com antecedência.

Com uma previsão bem estruturada, uma reserva compatível com as necessidades do negócio e metas realistas, seu negócio tem mais condições de manter as contas em ordem e planejar os próximos passos sem depender apenas do que acontece no mês.

Por isso, para montar um planejamento estruturado pensado em como montar um crescimento financeiro da sua empresa do zero, assista esse vídeo que mostra o raciocínio estratégico que você precisa ter para fazer isso funcionar de verdade, mas que quase ninguém explica. E foi exatamente isso que me ajudou demais nas minhas empresas.

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